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Folclore Popular
20 Novembro 2006Dá pra acreditar?
15 Novembro 2006Ouvi um comentário hoje que entra para a famosa série “eu ouço cada coisa que as vezes dá vontade de desistir da humanidade”.
Num almoço de família, um certo primo de segundo grau me sai com essa: “sabe, esse ano no Natal eu não vou doar panetone nem cesta básica para ninguém. Onde já se viu? Votam no Lula! Colocam aquele ridículo para governar o país! Merecem estar onde estão, e depois vem me pedir ajuda? Nem pensar!”
Não fiquei nem revoltado. Fiquei mais foi triste. Acho um pensamento muito baixo e pouco democrático.
Depois que a ânsia de vômito passou, mudei de mesa. Afinal, política e religião, especialmente na família, melhor não discutir…
Sentindo na pele
9 Novembro 2006Essa é mais uma da série “sentir-se parte do povão”. E o pior é que não vai servir para sensibilizar ninguém de nada.

A curiosidade matou o gato
3 Novembro 2006
O saldo da cobertura das eleições
3 Novembro 2006
Deixa o homem trabalhar
1 Novembro 2006No pronunciamento que fez agora pouco em cadeia nacional, Lula voltou a insistir na necessidade de diálogo com a oposição. Na minha opinião, faz isso com dois propósitos. O primeiro, é para poder dizer, na hora que der tudo errado, que foi a oposição quem se recusou a conversar com ele. O segundo, realmente, é para estabelecer uma agenda mínima de reformas que todos entendem necessárias.
Não foram poucas as oportunidades, nos últimos quatro anos, em que a oposição boicotou o governo só pela graça de boicotar, talvez vingando-se dos oito anos de atitudes semelhantes por parte dos petistas então opositores. Exemplo disso foi a Medida Provisória que acabava com os bingos, mas que não foi aprovada por pura pirraça.
Difícil saber o quanto essa proposta de diálogo é verdade ou factóide. Como disse acima, acho que é um pouco de cada coisa. E se é para começar por alguma reforma, que seja a política, urgentemente.
Tenho defendido bastante o voto distrital como forma de baratear substancialmente as campanhas para o legislativo. Afinal, se cada candidato tiver que fazer campanha em somente 4 ou 5 bairros de São Paulo, poderá economizar sola de sapato, dinheiro em santinhos, e ainda aproximar eleitores dos eleitos. Acho que é a proposta mais urgente.
Se a reforma política andar rapidamente, sem surpresas de última hora, acho que a “concertação social” já terá dado mais frutos do que eu imagino ser possível.
Saldo do pleito
30 Outubro 2006Algumas charges desses tempos de eleição:









Agora é que são elas
30 Outubro 2006Está eleito o presidente que vai governar o Brasil pelos próximos 4 anos. Acho, como já disse aqui muitas vezes, que as duas opções eram válidas, e não vou linchar quem escolheu um ao invés do outro. Porque antes de ser lulista ou alckmista, a gente tem que ser democrata, e isso faltou demais nessa eleição.
E porque isso faltou demais, talvez fique difícil, mais uma vez, chegar à tão almejada concertação social. Vamos continuar com governo e oposição fazendo pirraça e futrica como se fosse um irmão mais velho brigando com o mais novo.
O que falta não é gente para brigar. É projeto de país, coisa que nem PT, nem PSDB têm, na minha humilde opinião. O que há no Brasil há 12 anos são projetos de poder, e só.
O que nos resta agora, ao contrário do que eu venho ouvindo por aí, é torcer pelo sucesso do novo governo, seja você partidário de quem for. Porque política não é como o futebol, em que se o outro time joga mal, você que é do time adversário acha tudo engraçado e torce para que piore mais ainda. Se o time do Lula for mal, estamos todos lascados.
Muito eu ouvi sobre ética. Inclusive de pessoas que sonegam impostos diuturnamente. Que moral elas têm para dizer que é necessário varrer a corrupção do país? Pois bem, o ponto em que eu queria chegar é esse. Ganhasse um ou outro, o problema é que a corrupção no Brasil não está só lá no Planalto. Ela é endêmica. Está na padaria e no banco. No guardador de rua e no ministro da saúde.
E ela só termina se nós, da parte de baixo, dermos um basta a ela no nosso dia-a-dia. Isso tudo para que eu não tenha que concordar com uma grande amiga que sempre diz: “O pior do Brasil é o brasileiro”.
Sucesso para todos nós, nesses 4 anos!
Mundo dos negócios
21 Outubro 2006Acho que sempre é hora de discutir negócios. Nesta série, a análise de alguns produtos:






Curtas da internet
21 Outubro 2006“O crescimento de Lula na pesquisa Datafolha após o debate da Band fez Geraldo Alckmin mudar a estratégia de campanha: o candidato tucano vai voltar a fazer cara de bobo para recuperar seu prestígio junto à opinião pública”
(Tutty Vasques)
Saco de gato
20 Outubro 2006Está em formação uma das maiores casas-da-mãe-joana que Brasília já viu. Anda a passos largos a negociação para fundir PL, PRONA e PTC. O nome inicial do novo partido seria PR. A nova legenda, com isso, acolheria, além das dezenas de sanguessugas e mensaleiros vindos do PL, nada menos que Clodovil Hernandes e Enéas Carneiro, que passariam a ser do mesmo partido.
Se cercar vira hospício, se cobrir vira circo…
E eu pergunto: dá para levar a política brasileira a sério?
Efeito Maluf
14 Outubro 2006Macaco velho fica sempre com a segunda opção, que ainda tem ar de “volta por cima”.

E revendo a lista dos eleitos para o Congresso, fica me martelando a frase da Justiça Eleitoral: “O Brasil é tão bom quanto o seu voto…”
Mais uma para a coleção
12 Outubro 2006Como de costume, o deputado federal Paulo Maluf foi condenado ontem em primeira instância. Desta vez, foi por ter utilizado no material da prefeitura durante a sua gestão (1992-96) o mesmo trevo de quatro folhas com corações que era o símbolo de sua campanha. Não sei se vocês se lembram, mas o brasão da prefeitura nos tempos do Maluf foi realmente substituído pelos corações.
Enfim, dos tantos crimes que ele já cometeu, esse nem é dos mais graves. É daqueles que alguns penalistas mais boca-suja chamam de CB (crime bosta). Mas não deixa de ser mais uma condenação para o extenso rol do ex-prefeito.
Não, por enquanto não acontece nada com ele. Foi condenado somente em primeira instância. E agora que ele, malandramente, se elegeu deputado, todos os processos contra ele sobem automaticamente para o Supremo Tribunal Federal, pois Maluf passa a ter o que se chama de foro privilegiado. O problema é que o STF está absolutamente abarrotado de processos. Ele julga discussões de constitucionalidade vindas de todo o país.
E, especialmente os que têm formação jurídica sabem, quem quiser consegue arrumar discussão constitucional em praticamente todos os processos.
São só 11 ministros, que não dão conta do volume de trabalho. Uma ADIn (Ação Direta de Inconstitucionalidade) está levando em média 9 anos para ser julgada. Ou seja, provavelmente nenhuma condenação de Maluf transitará em julgado nos próximos 4 anos, o que fará com que ele possa cumprir integralmente o seu mandato.
O ideal era ele não ter sido eleito. Agora, já era…
Frase do dia
12 Outubro 2006“Sou feito cachorro, é só passar a mão que eu abano o rabo”
Clodovil Hernandez, deputado federal eleito por São Paulo
Não é possível… Na outra vida eu devo ter secado a mão no santo sudário… eu não mereço, eu não mereço!
Sem comentários
10 Outubro 2006Não vou comentar o debate de ontem, porque as pessoas andam incapazes de analisar as coisas de forma minimamente isenta. Se eu falar mal do Lula, vai todo mundo soltar foguete, mas quando eu for criticar um mínimo que seja de qualquer coisa errada que o Alckmin tenha feito, vou ser acusado de petista, corrupto, ladrão, ignorante…enfim…
Ando meio assustado com as reações das pessoas. Beiram até a falta de respeito… Vocês têm certeza de que é um país com esse grau de intolerância que vocês querem construir? Só para saber…
Charge do dia
8 Outubro 2006Tem gosto eleitoral para tudo, fazer o quê…

Falando em comunistas
8 Outubro 2006Inácio Arruda, do Ceará, é o primeiro senador eleito pelo Partido Comunista desde Luiz Carlos Prestes, em 1945. Resultado, em parte, do fato de a agremiação ter ficado na ilegalidade entre 1947 e 1980. Mas, ao contrário do que ocorre com Manuela (post abaixo), neste caso ninguém pode alegar que o critério foi a beleza:

Uma esquerda diferente
8 Outubro 2006Houve um tempo, num passado remoto, em que uma militante da esquerda não podia cuidar da beleza. Isso era praticamente considerado uma traição à causa.
Felizmente os tempos mudaram. Acabaram percebendo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eis que essa nova esquerda elegeu, como a deputada mais votada do estado do Rio Grande do Sul, a jornalista Manuela.
Muitos gaúchos estão dizendo que sua base de apoio, jovens do sexo masculino, votou nela pela aparência, e não pelas propostas. Antes de prosseguir, uma fotinho dela para que o leitor tire suas conclusões.

Manuela rechaça fortemente essas afirmações, diz que foi eleita por sua atuação na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, onde ocupa uma cadeira desde 2004.
O choque com a eleição de Manuela está muito ligado ao fato de ela pertencer ao Partido Comunista. A propaganda da ditadura, especialmente nos anos 60, era a de que os comunistas eram feios, malvados, emissários do diabo e que comiam gente (no mau sentido).
Na verdade, nunca saberemos no que pensou o eleitor que votou na bela gaúcha, mas acho interessante que estereótipos sejam quebrados. Os comunistas não almoçam criancinhas. E uma deputada eleita pelo Partido Comunista tem o direito de fazer luzes no cabelo.
Apoios que comprometem
7 Outubro 2006Dos dois lados da campanha, o pessoal vem recebendo certos apoios que deveriam, se isso fosse um país sério, derrubar os índices dos dois candidatos:

Alckmin posou feliz e contente ao lado do casal Garotinho, figuras tão queridas da política nacional.

No Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, candidato do partido dos Garotinho ao governo, rasga elogios a Lula. Agora me diga, é ou não é tudo farinha do mesmo saco?
Curtas da internet 2
7 Outubro 2006“Segura o homem! Amigos de Alckmin estão preocupados. Temem que ele de repente vá à cadeia receber o apoio de Luiz Estevão. Essa mania de não recusar voto ainda acaba com ele.”
(Tutty Vasques)
Curtas da internet
7 Outubro 2006“O eleitor carioca foi preconceituoso ao negar seu voto a Cristiane Brasil. Que culpa tem a moça de ser filha do Roberto Jefferson? Se fosse em São Paulo, ela estaria eleita entre os mais votados.”
(Tutty Vasques)
Advertências interessantes
7 Outubro 2006Em 2002, o Caco Galhardo publicou na Folha uma série que falava sobre as advertências que algumas coisas deveriam conter em sua “embalagem”. Reproduzo as duas que tinham a ver com eleições, já que é o nosso assunto do momento:

(mais uma da série “feita para o FHC, mas serve para o Lula também”…)

(mas esse só serve para quem votou a sério em alguém; ninguém que elegeu Clodovil poderá depois dizer que teve uma desilusão)
Chance disperdiçada
7 Outubro 2006Os resultados da votação para nossas casas legislativas me fazem crer que mais uma vez o povo brasileiro perdeu uma ótima chance de elevar o nível dos nossos deputados e senadores.
Não digo, como muitos, que sejam todos uma mesma corja, que político é tudo igual. Ainda não cheguei nesse ponto e tento fugir dele.
Muitos nomes bons, pelo menos na minha opinião, foram reeleitos. É o caso de Eduardo Suplicy (PT-SP), Fernando Gabeira (PV-RJ), Chico Alencar (PSOL-RJ) e alguns outros.
Além disso, alguns parlamentares cheios de acusações nas costas não voltarão à Brasília. É o caso de Ney Suassuna (PMDB-PB) e Prof. Luizinho (PT-SP).
Com tudo isso, então, como posso dizer não melhoramos?
Pois é. O problema é que apesar do quadro desenhado acima, especialmente no estado de São Paulo, a eleição para a Câmara Federal foi uma vergonha. Nossos quatro deputados mais votados:
1) Paulo Maluf (PP) – 739.827 votos, 2) Celso Russomano (PP) – 573.524 votos, 3) Clodovil (PTC) – 493.951 votos e 4) Enéas (PRONA) – 386.905 votos
Sobre Paulo Maluf, não vou gastar nem as pontas dos meus dedos digitando os porquês de ser tal eleição lamentável. São tantos os motivos, que o leitor largaria o texto na metade.
De Celso Russomano, pode-se dizer que o eterno defensor do consumidor nunca fez nada além de reportagens de televisão. Continua trabalhando somente a sua imagem pessoal e faz parte de um partido que remonta a tudo de ruim que se fez em política nesse país, desde apoio irrestrito aos militares, até trocar cargos por participação no governo, tanto sob FHC quanto sob Lula.
Clodovil já mostrou a que veio dizendo que seu maior desejo nesse início de mandato era conhecer o mobiliário de seu gabinete. Se, como tudo indica, sua legislatura for uma tragédia, seus eleitores não podem reclamar: sabiam exatamente onde estavam pisando.
Por último, Enéas, que em 2002 recebeu mais de 1 milhão de votos, e teve participação discreta, para dizer o mínimo, nesses últimos quatro anos. Seu mandato foi engolido pela burocracia dos corredores do Congresso. Sua reeleição só pode ser entendida como mais uma piada.
Fora de São Paulo, acho que o pior ocorreu nas Alagoas. Trocou-se a brigadora Heloísa Helena pelo discutível Fernando Collor de Mello, que volta ao Planalto Central “nos braços do povo”.
Na média, entre bons eleitos, maus que saem e maus que entram, ficamos empatados. O que é ruim, pois empatar com a legislatura passada é algo que deveria envergonhar. Acho que, infelizmente, a atual composição das casas não contribuirá para a melhoria de sua imagem.
Na verdade, do jeito que tudo anda, se não piorar, já estamos no lucro.
Quem assusta?
30 Setembro 2006No debate ao governo de São Paulo, Mercadante foi colocado contra a parede pelo Plínio do PSOL. Perguntado em quem havia votado na eleição interna do PT em 2005, ficou extremamente incomodado, tentou fugir, titubeou. Ficou bem chato para ele.
Anteontem, vazou da assessoria de Lula que o principal medo que ele tinha no debate era ter que ficar cara-a-cara com Heloísa Helena, e que ela lhe apontasse o dedo no púlpito em frente ao William Bonner.
Os dois fatos estão muito ligados. Demonstram que o PT não tem medo do PSDB, com quem já trava brigas históricas, e já sabe decor e salteado todos os argumentos que serão trazidos à tona.
O PT tem medo dos seus filhos rebeldes, que sabem a virada que ocorreu no partido entre 2001 e 2003, e no que ele se transformou. Eles, que já estiveram do mesmo lado, são o pior risco. Porque são o atestado vivo (e gritando) de que o PT não é mais o mesmo. E que mudou para pior.
Melhor fugir dos expulsos. Melhor não deixar as pessoas lembrarem o que eles deveriam ter sido e não foram.
Os de ontem, os de hoje
28 Setembro 2006A lista de escândalos do governo Lula é tão grande que fico com medo de esquecer algum importante na hora de falar deles. É mensalão pra cá, é sanguessuga pra cá, e com um dossiezinho no fim para dar aquele tempero.
Mas fica parecendo que presidente envolvido em escândalo é coisa nova, inventada em 2002. Resgatei essa singela charge aqui, para reavivar as memórias:

Acho que já deu para notar que não vou votar nem nos corruptos de ontem, nem nos de hoje…
Algo de bom
28 Setembro 2006Em uma eleição marcada por notícias ruins e desanimadoras, pelo menos uma parece dar algum fio de esperança àqueles que ainda esperam pela mudança de verdade.
José Sarney e Ney Suassuna, senadores que muitos já davam como “vitalícios”, correm sérios riscos de perder suas cadeiras.
Sarney, que continua, na maior cara-de-pau, disputando a vaga pelo Amapá, finalmente enfrenta uma candidata que explora exatamente esse ponto: afinal, o que ele tem a ver com esse estado? Nada…
Suassuna não vai melhor na Paraíba. Seu caso é ainda mais grave. Está atrás nas pesquisas, deve ficar sem mandato.
Acho que a queda desses dois ícones do atraso pode ser sim um pequeno sinal de mudança. Seria muito saudável para o Senado ficar sem eles. Tomara que as pesquisas se confirmem nas urnas. E já não terá sido um pleito totalmente inútil…