Rumo ao cadafalso

By Bucha

O ex-ditador Saddam Hussein foi condenado ontem, pelo Tribunal Superior Penal do Iraque, à morte por enforcamento. Saddam foi considerado culpado pelo assassinato de 148 xiitas, em 1982.

No mérito do julgamento, acho que não há discussão. Eu não estava lá, mas acho altamente provável que o Saddam seja mesmo o responsável por essas mortes e mereça ser punido por isso.

Mas dois pontos precisam ser levantados. O primeiro, mais filosófico, diz respeito ao fato de um país passar por tantos anos de violência e ainda assim decidir por inserir a pena de morte em seu ordenamento jurídico. Parece que não se aprende nada com os erros do outro.

Como já dizia, brilhantemente, Machado de Assis:

“Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.”

O segundo ponto é um pouco mais, digamos, jurídico. Trata-se da legitimidade que tem um tribunal para julgar um criminoso, em um país sob ocupação internacional. Que garantias há que o funcionamento do judiciário iraquiano não esteja sendo influenciado, ou mesmo dirigido diretamente, pelos americanos?

Em uma situação como essa, é possível questionar fortemente se os julgamentos produzem o resultado almejado pelo povo e pelas leis iraquianas, ou o que é politicamente mais interessante ao invasor.

Acredito que uma decisão dessa magnitude só possa ser tomada legitimamente em um país auto-governado, o que não é o caso. Mas, enfim, não é a primeira, nem será a última ingerência americana no mundo.

2 Respostas para “Rumo ao cadafalso”

  1. Geraldo Disse:

    Bucha, tá no Blog do Tas, mas achei a cara do teu:

    ‘A tal operação “padrão” que paralisa os aeroportos brasileiros levanta uma importante questão: e se de uma hora para outra todos brasileiros, em todas as profissões começassem a obedecer todas as leis, todos os padrões de segurança, o que aconteceria com o país?

    Viraríamos a Suíca ou caminharíamos definitivamente para a barbárie?’

  2. Seu Quincão Disse:

    Como diria, brilhantemente, MAchado de Assis:
    “Ao vencedor, as batatas.”

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