Posts de Outubro, 2006

Saldo do pleito

30 Outubro 2006

Algumas charges desses tempos de eleição:

Agora é que são elas

30 Outubro 2006

Está eleito o presidente que vai governar o Brasil pelos próximos 4 anos. Acho, como já disse aqui muitas vezes, que as duas opções eram válidas, e não vou linchar quem escolheu um ao invés do outro. Porque antes de ser lulista ou alckmista, a gente tem que ser democrata, e isso faltou demais nessa eleição.

E porque isso faltou demais, talvez fique difícil, mais uma vez, chegar à tão almejada concertação social. Vamos continuar com governo e oposição fazendo pirraça e futrica como se fosse um irmão mais velho brigando com o mais novo.

O que falta não é gente para brigar. É projeto de país, coisa que nem PT, nem PSDB têm, na minha humilde opinião. O que há no Brasil há 12 anos são projetos de poder, e só.

O que nos resta agora, ao contrário do que eu venho ouvindo por aí, é torcer pelo sucesso do novo governo, seja você partidário de quem for. Porque política não é como o futebol, em que se o outro time joga mal, você que é do time adversário acha tudo engraçado e torce para que piore mais ainda. Se o time do Lula for mal, estamos todos lascados.

Muito eu ouvi sobre ética. Inclusive de pessoas que sonegam impostos diuturnamente. Que moral elas têm para dizer que é necessário varrer a corrupção do país? Pois bem, o ponto em que eu queria chegar é esse. Ganhasse um ou outro, o problema é que a corrupção no Brasil não está só lá no Planalto. Ela é endêmica. Está na padaria e no banco. No guardador de rua e no ministro da saúde.

E ela só termina se nós, da parte de baixo, dermos um basta a ela no nosso dia-a-dia. Isso tudo para que eu não tenha que concordar com uma grande amiga que sempre diz: “O pior do Brasil é o brasileiro”.

Sucesso para todos nós, nesses 4 anos!

La isla del sol

28 Outubro 2006

Ontem a noite, após assistir a um debate enfadonho e previsível, estava aqui conversando com alguém pela internet e eis que ouço na TV um som conhecido, mas com uma letra estranha. Presto um pouco de atenção e identifico: Mila, do Netinho. Em espanhol!!!

E depois que aquele pensamento “meu deus, lembra desse cara?” passou, claro que fui até a internet pesquisar e achei a letra, que humildemente divido com vocês:

La Isla del Sol

oh mina,
yo tengo que decirte que me muero por vos
todo lo que quiero es estar a tu lado
y entregarte con un beso todo mi corazon
eres lo mas bello que me pudo pasar
viendo las estrellas a la orilla del mar
besandonos en la isla del sol
la isla del sol
la isla del sol

todo comenzo algun tiempo atras
en la isla del sol
se cruzaron nuestros caminos por causalidad(*2)

mi corazon guardo recuerdos del los dos
con una herida abierta
o con una ilusion

Oh mina,
yo tengo que decirte que me muero por vos
todo lo que quiero es estar a tu lado
y entregarte con un beso todo mi corazon
eres lo mas bello que me pudo pasar
viendo las estrellas a la orilla del mar
besandonos en la isla del sol

la isla del sol(*2)

todo comenzo algun tiempo atras
en la isla del sol
se cruzaron nuestros caminos por causalidad(*2)

mi corazon guardo recuerdos del los dos
con una herida abierta
oh como una ilusion

Oh mina,
yo tengo que decirte que me muero por vos
todo lo que quiero es estar a tu lado
y entregarte con un beso todo mi corazon
eres lo mas bello que me pudo pasar
viendo las estrellas a la orilla del mar
besandonos en la isla del sol

la isla del sol(*2)
besandonos en la isla del sol…

Mundo dos negócios

21 Outubro 2006

Acho que sempre é hora de discutir negócios. Nesta série, a análise de alguns produtos:

Curtas da internet

21 Outubro 2006

“O crescimento de Lula na pesquisa Datafolha após o debate da Band fez Geraldo Alckmin mudar a estratégia de campanha: o candidato tucano vai voltar a fazer cara de bobo para recuperar seu prestígio junto à opinião pública”

(Tutty Vasques)

Saco de gato

20 Outubro 2006

Está em formação uma das maiores casas-da-mãe-joana que Brasília já viu. Anda a passos largos a negociação para fundir PL, PRONA e PTC. O nome inicial do novo partido seria PR. A nova legenda, com isso, acolheria, além das dezenas de sanguessugas e mensaleiros vindos do PL, nada menos que Clodovil Hernandes e Enéas Carneiro, que passariam a ser do mesmo partido.

Se cercar vira hospício, se cobrir vira circo…

E eu pergunto: dá para levar a política brasileira a sério?

Para lá de Bagdá

20 Outubro 2006

Em sua já conhecida cruzada para me irritar e me deixar revoltado, o presidente George W. Bush demonstrou, juntamente com o congresso americano, que sua mente limitada é capaz de coisas mais absurdas do que se imaginava.

No começo da semana, o Congresso dos Estados Unidos, terra da liberdade, aprovou o projeto de lei encaminhado por Bush que torna válidas as provas obtidas sob tortura, quando se tratar de caso de suspeita de terrorismo.

E o que isso significa? Para deixar o parágrafo curto, vamos resumir: é pegar o Estado de Direito, e jogar no chão, rasgar, botar fogo, pisar e ainda cuspir em cima. É o fim dos tempos. Dá quase vontade de desistir. Como? Como é possível que a maior democracia do mundo admita explicitamente em seu ordenamento a tortura?

Porque até agora, ok, os americanos mantinham árabes presos em Guantánamo sem acusação formal, e isso era um absurdo mesmo dentro do sistema americano. Ou seja, as coisas estavam erradas, porque violavam inclusive as leis do Tio Sam. Agora a coisa muda de figura.

Fosse um país qualquer, e certamente já teria sido proposta uma sanção violenta pelo Conselho de Segurança da ONU. Mas as negociações multilaterais ainda sofrem do velho problema dos “dois pesos e duas medidas”.

Mas apesar de revoltado, não estou exatamente surpreso. Acho que, como disse muito bem o irmão de uma amiga minha, o mundo está aos poucos ficando cada vez mais totalitário…

Efeito Maluf

14 Outubro 2006

Macaco velho fica sempre com a segunda opção, que ainda tem ar de “volta por cima”.

E revendo a lista dos eleitos para o Congresso, fica me martelando a frase da Justiça Eleitoral: “O Brasil é tão bom quanto o seu voto…”

A paz pela inclusão

14 Outubro 2006

A Academia Sueca surpreendeu o mundo hoje ao anunciar o Prêmio Nobel da Paz a um economista, e por seu trabalho na área da economia. O escolhido foi Muhhamad Yunus, o “banqueiro dos pobres”.

Na década de 70, Yunus resolveu revolucionar as estruturas do crédito bancário, ao oferecer dinheiro para as famílias pobres de Bangladesh sem qualquer necessidade de comprovação de renda ou garantias.

Ele previu aquilo que muitos só observariam ao final dos anos 90: quem fica com o nome sujo e não se importa são os mais abastados. Os pobres não têm nada, só o nome, e honram isso com todas as suas forças. Daí que as Casas Bahia, no Brasil, têm baixíssimas taxas de inadimplência, ao contrário dos grandes bancos.

Ao premiar Yunus, a Academia dá um ótimo sinal de sua linha de pensamento. Afinal, só haverá paz de verdade quando todos puderem ter acesso a uma existência digna. O banqueiro, que hoje conta com mais de 7 milhões de clientes, é daqueles que com o seu conhecimento, ajudam a construir um futuro melhor. Palmas!

Mais uma para a coleção

12 Outubro 2006

Como de costume, o deputado federal Paulo Maluf foi condenado ontem em primeira instância. Desta vez, foi por ter utilizado no material da prefeitura durante a sua gestão (1992-96) o mesmo trevo de quatro folhas com corações que era o símbolo de sua campanha. Não sei se vocês se lembram, mas o brasão da prefeitura nos tempos do Maluf foi realmente substituído pelos corações.

Enfim, dos tantos crimes que ele já cometeu, esse nem é dos mais graves. É daqueles que alguns penalistas mais boca-suja chamam de CB (crime bosta). Mas não deixa de ser mais uma condenação para o extenso rol do ex-prefeito.

Não, por enquanto não acontece nada com ele. Foi condenado somente em primeira instância. E agora que ele, malandramente, se elegeu deputado, todos os processos contra ele sobem automaticamente para o Supremo Tribunal Federal, pois Maluf passa a ter o que se chama de foro privilegiado. O problema é que o STF está absolutamente abarrotado de processos. Ele julga discussões de constitucionalidade vindas de todo o país.

E, especialmente os que têm formação jurídica sabem, quem quiser consegue arrumar discussão constitucional em praticamente todos os processos.

São só 11 ministros, que não dão conta do volume de trabalho. Uma ADIn (Ação Direta de Inconstitucionalidade)  está levando em média 9 anos para ser julgada. Ou seja, provavelmente nenhuma condenação de Maluf transitará em julgado nos próximos 4 anos, o que fará com que ele possa cumprir integralmente o seu mandato.

O ideal era ele não ter sido eleito. Agora, já era…

Frase do dia

12 Outubro 2006

“Sou feito cachorro, é só passar a mão que eu abano o rabo”

Clodovil Hernandez, deputado federal eleito por São Paulo

Não é possível… Na outra vida eu devo ter secado a mão no santo sudário… eu não mereço, eu não mereço!

Voltando em grande estilo

12 Outubro 2006

Certas celebridades da propaganda acabam fazendo fama por um tempo, e depois desaparecem. Faz parte. Mas eis que um desses, o “baixinho da Kaiser” (lembra?) apareceu ontem muito bem acompanhado:

Para quem não reparou, ou não está muito familiarizado com o mundo das celebridades, essa é a Karina Bacchi, atriz símbolo sexual da Globo, e que tem 30 anos a menos que o sortudo baixinho.

Ela declarou que a felicidade as vezes vem de onde a gente menos espera. Especialmente para ele!!!

Sem comentários

10 Outubro 2006

Não vou comentar o debate de ontem, porque as pessoas andam incapazes de analisar as coisas de forma minimamente isenta. Se eu falar mal do Lula, vai todo mundo soltar foguete, mas quando eu for criticar um mínimo que seja de qualquer coisa errada que o Alckmin tenha feito, vou ser acusado de petista, corrupto, ladrão, ignorante…enfim…

Ando meio assustado com as reações das pessoas. Beiram até a falta de respeito… Vocês têm certeza de que é um país com esse grau de intolerância que vocês querem construir? Só para saber…

Charge do dia

8 Outubro 2006

Tem gosto eleitoral para tudo, fazer o quê…

Falando em comunistas

8 Outubro 2006

Inácio Arruda, do Ceará, é o primeiro senador eleito pelo Partido Comunista desde Luiz Carlos Prestes, em 1945. Resultado, em parte, do fato de a agremiação ter ficado na ilegalidade entre 1947 e 1980. Mas, ao contrário do que ocorre com Manuela (post abaixo), neste caso ninguém pode alegar que o critério foi a beleza:

 

Uma esquerda diferente

8 Outubro 2006

Houve um tempo, num passado remoto, em que uma militante da esquerda não podia cuidar da beleza. Isso era praticamente considerado uma traição à causa.

Felizmente os tempos mudaram. Acabaram percebendo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eis que essa nova esquerda elegeu, como a deputada mais votada do estado do Rio Grande do Sul, a jornalista Manuela.

Muitos gaúchos estão dizendo que sua base de apoio, jovens do sexo masculino, votou nela pela aparência, e não pelas propostas. Antes de prosseguir, uma fotinho dela para que o leitor tire suas conclusões.

Manuela rechaça fortemente essas afirmações, diz que foi eleita por sua atuação na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, onde ocupa uma cadeira desde 2004.

O choque com a eleição de Manuela está muito ligado ao fato de ela pertencer ao Partido Comunista. A propaganda da ditadura, especialmente nos anos 60, era a de que os comunistas eram feios, malvados, emissários do diabo e que comiam gente (no mau sentido).

Na verdade, nunca saberemos no que pensou o eleitor que votou na bela gaúcha, mas acho interessante que estereótipos sejam quebrados. Os comunistas não almoçam criancinhas. E uma deputada eleita pelo Partido Comunista tem o direito de fazer luzes no cabelo.

Apoios que comprometem

7 Outubro 2006

Dos dois lados da campanha, o pessoal vem recebendo certos apoios que deveriam, se isso fosse um país sério, derrubar os índices dos dois candidatos:

Alckmin posou feliz e contente ao lado do casal Garotinho, figuras tão queridas da política nacional.

No Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, candidato do partido dos Garotinho ao governo, rasga elogios a Lula. Agora me diga, é ou não é tudo farinha do mesmo saco?

Curtas da internet 2

7 Outubro 2006

“Segura o homem! Amigos de Alckmin estão preocupados. Temem que ele de repente vá à cadeia receber o apoio de Luiz Estevão. Essa mania de não recusar voto ainda acaba com ele.”

(Tutty Vasques)

Curtas da internet

7 Outubro 2006

“O eleitor carioca foi preconceituoso ao negar seu voto a Cristiane Brasil. Que culpa tem a moça de ser filha do Roberto Jefferson? Se fosse em São Paulo, ela estaria eleita entre os mais votados.”

(Tutty Vasques)

Advertências interessantes

7 Outubro 2006

Em 2002, o Caco Galhardo publicou na Folha uma série que falava sobre as advertências que algumas coisas deveriam conter em sua “embalagem”. Reproduzo as duas que tinham a ver com eleições, já que é o nosso assunto do momento:

(mais uma da série “feita para o FHC, mas serve para o Lula também”…)

(mas esse só serve para quem votou a sério em alguém; ninguém que elegeu Clodovil poderá depois dizer que teve uma desilusão)

Chance disperdiçada

7 Outubro 2006

Os resultados da votação para nossas casas legislativas me fazem crer que mais uma vez o povo brasileiro perdeu uma ótima chance de elevar o nível dos nossos deputados e senadores.

Não digo, como muitos, que sejam todos uma mesma corja, que político é tudo igual. Ainda não cheguei nesse ponto e tento fugir dele.

Muitos nomes bons, pelo menos na minha opinião, foram reeleitos. É o caso de Eduardo Suplicy (PT-SP), Fernando Gabeira (PV-RJ), Chico Alencar (PSOL-RJ) e alguns outros.

Além disso, alguns parlamentares cheios de acusações nas costas não voltarão à Brasília. É o caso de Ney Suassuna (PMDB-PB) e Prof. Luizinho (PT-SP).

Com tudo isso, então, como posso dizer não melhoramos?

Pois é. O problema é que apesar do quadro desenhado acima, especialmente no estado de São Paulo, a eleição para a Câmara Federal foi uma vergonha. Nossos quatro deputados mais votados:

1) Paulo Maluf (PP) – 739.827 votos, 2) Celso Russomano (PP) – 573.524 votos, 3) Clodovil (PTC) – 493.951 votos e 4) Enéas (PRONA) – 386.905 votos

Sobre Paulo Maluf, não vou gastar nem as pontas dos meus dedos digitando os porquês de ser tal eleição lamentável. São tantos os motivos, que o leitor largaria o texto na metade.

De Celso Russomano, pode-se dizer que o eterno defensor do consumidor nunca fez nada além de reportagens de televisão. Continua trabalhando somente a sua imagem pessoal e faz parte de um partido que remonta a tudo de ruim que se fez em política nesse país, desde apoio irrestrito aos militares, até trocar cargos por participação no governo, tanto sob FHC quanto sob Lula.

Clodovil já mostrou a que veio dizendo que seu maior desejo nesse início de mandato era conhecer o mobiliário de seu gabinete. Se, como tudo indica, sua legislatura for uma tragédia, seus eleitores não podem reclamar: sabiam exatamente onde estavam pisando.

Por último, Enéas, que em 2002 recebeu mais de 1 milhão de votos, e teve participação discreta, para dizer o mínimo, nesses últimos quatro anos. Seu mandato foi engolido pela burocracia dos corredores do Congresso. Sua reeleição só pode ser entendida como mais uma piada.

Fora de São Paulo, acho que o pior ocorreu nas Alagoas. Trocou-se a brigadora Heloísa Helena pelo discutível Fernando Collor de Mello, que volta ao Planalto Central “nos braços do povo”.

Na média, entre bons eleitos, maus que saem e maus que entram, ficamos empatados. O que é ruim, pois empatar com a legislatura passada é algo que deveria envergonhar. Acho que, infelizmente, a atual composição das casas não contribuirá para a melhoria de sua imagem.

Na verdade, do jeito que tudo anda, se não piorar, já estamos no lucro.