O papa Bento XVI, que outrora se chamava Joseph Ratzinger e era o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão que sucedeu a Santa Inquisição, cometeu anteontem uma enorme gafe. Citou um estudioso da Idade Média que dizia que o mundo islâmico só trazia violência para o mundo.
Não poderia haver momento pior para falar uma coisa como essa. Os árabes já estão extremamente irritados pela ação de Israel no Líbano e a falta de uma condenação internacional em relação a ela.
Vários presidentes de países árabes já manifestaram seu enorme descontentamento com a fala do papa. Mas, de qualquer modo, vindo de Bento XVI, não é exatamente surpreendente.
(A partir de agora, falarei mal do papa. Se você for católico e temente da autoridade do Vaticano, pare aqui, pois sua vaga no céu pode ficar ameaçada)
O papa Bento, desde o início do pontificado, vem se mostrando altamente inflexível e autoritário. Não tem, nem de longe, o carisma de seu antecessor, respeitado no mundo inteiro. Não que João Paulo II fosse exatamente um progressista em todos os assuntos, mas sempre demonstrou boa vontade para negociar e respeito pelos diferentes, algo que a Igreja deve sempre prezar, depois de 1000 anos de intolerância.
Se João Paulo II ficou conhecido como o papa da concórdia, que estreitou os laços da igreja com os ortodoxos, judeus e islâmicos, Bento XVI parece que não está muito interessado em nada disso. Coloca as manguinhas de fora para influir na política italiana e impedir a aprovação da lei que autorizava a fertilização com sêmen de doador desconhecido, mas é incapaz de atuar com a mesma energia pela paz no mundo, que deveria ser a bandeira mestra de qualquer papa do século XXI.
Resta torcer para que Bento perceba que não é mais o cardealzinho responsável por tentar impor o catolicismo ao mundo.
Aliás, o título desse texto era, originalmente, continha um termo bem mais forte do que “gafe”. Mas se estou defendendo a diplomacia, não posso também ficar jogando aquilo, que por sinal era o conteúdo original do título, no ventilador.


(Bento XVI e seus mais novos inimigos. Assim a Igreja vai longe)